sábado, 19 de fevereiro de 2011

Burlesque

 Com Cher e Christina Aguilera como protagonistas, chega aos cinemas o musical que, felizmente, será esquecido com facilidade.
  Por Enoe Lopes Pontes
Ganhador do Globo de Ouro de melhor canção ("You Haven't Seen the Last of Me"), Burlesque é uma produção ambiciosa que no total teve três indicações ao prêmio (incluindo melhor filme). Contudo, fica complicado entender o que fez o filme ser indicado. Talvez porque a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood não tenha visto longas significativos durante o ano.
   Mas, a grande questão está no que não existe em Burlesque. A lista poderia ser grande. Porém, o que se destaca é a falta de ritmo e de originalidade. Desde os primeiros minutos, é possível assistir cenas com momentos já vistos em musicais como Moulin Rouge e Chicago. Fica uma sensação de Deja vu. No número "I'm a good girl" é clara a semelhança entre os passos feitos por Aguilera com os de Renée Zellweger em Chicago. 
    A história em si é um grande clichê. Ali (Christina Aguilera) é uma garota que mora no interior dos Estados Unidos (Iowa) e vai para Los Angeles em busca de um grande sonho. Ser uma artista de sucesso. Ao chegar na cidade entra num estabelecimento chamado Burlesque, onde as garotas dublam e dançam músicas muito conhecidas pelo público. A partir daí, ela faz tudo para poder entrar neste mundo. Trabalha como garçonete no lugar e divide o apartamento com um dos funcionários. É vergonhoso constatar que situações que seriam novas nas películas dos anos 40 são utilizadas em pleno século XXI, deixando a película cansativa. Como: moça que divide o quarto com um rapaz e termina se apaixonado por ele. Tudo é muito óbvio. Até nas canções fica fácil adivinhar o próximo verso.
   Não há uma salvação no filme. Aguilera não tem presença atuando. Sua performance não é vergonhosa, mas não chega a convencer. Cher (Tess) está totalmente inexpressiva. Completamente entediante no papel. Stanley Tucci (Sean) nem se esforçou para criar a personagem dele. Além disso, o elenco conta com atores de seriados melosos como Eric Dane (Private Pratice, Grey's Anatomy) e canastrões como Peter Gallagher (The O.C.), o que deixa ainda mais evidente a falta de habilidade nas escolhas dos artistas.
    Para piorar, existem músicas inseridas no longa sem nenhuma razão aparente. Um exemplo é "You Haven't Seen the Last of Me" (sim, acreditem, a vencedora do Globo de Ouro), que é uma desculpa lamentável para fazer Cher cantar. Chega a ser ridículo quando o DJ do local pergunta se ela quer mesmo os holofotes. Então, Cher distraidamente diz que sim. 
     No fim, o alívio por ter pelo menos uma boa performance no número final, "Show me your Burlesque". Que apesar do nome sugestivo, consegue ser o único bonzinho, animado e com ritmo. Porém, não chega a ser original. Burlesque é um longa esquecível, que terá um bom lugar na Sessão da Tarde.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Árvore

Em sua segunda direção, Julie Bertuccelli aborda mais uma vez o tema da morte.
por Enoe Lopes Pontes

 Após Depois Que Otar Partiu (2003), Bertuccelli traz um filme que conta a história de uma família que entra em luto, depois que o marido e pai deles morre. Eles precisam lidar com perda, mesmo que ela seja difícil. Com isso, Simone (Morgana Davies), menina de oito anos, passa acreditar que o escrito do pai está na árvore que fica no jardim da casa.
 O longa trata de forma natural e visceral a dor que se sente quando alguém tão próximo falece. Não há pieguices ou clichês. Somente pessoas aprendo a conviver com a dor. Com o vazio. Isso vem desde o roteiro (baseado no livro: Pai Nosso Que Está Na Árvore). Sem melodramas ou ações esperadas. 
  Contudo, o destaque está em Davies. Que consegue transmitir diversas sensações com um olhar. Com um gesto. A garota traz na atuação uma veracidade que emociona. Charlotte Gaibnsbourg (O Anticristo) interpreta a mãe, que viúva, com quatro filhos, precisa aprender a viver sem o esposo. A atriz funciona no papel. E junto com Morgana Davies conseguem fazer as melhores cenas.
   No entanto, o final deixa a desejar. Não se sente uma conclusão de sentimentos por parte de Simone. Que parece deixar de lado o que tanto lutou para guardar e proteger.
    A árvore, com sua belíssima trilha, consegue transmitir a mensagem proposta. Mostra uma maneira de se vivenciar a tristeza da morte e como o tempo pode curar.