terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Árvore

Em sua segunda direção, Julie Bertuccelli aborda mais uma vez o tema da morte.
por Enoe Lopes Pontes

 Após Depois Que Otar Partiu (2003), Bertuccelli traz um filme que conta a história de uma família que entra em luto, depois que o marido e pai deles morre. Eles precisam lidar com perda, mesmo que ela seja difícil. Com isso, Simone (Morgana Davies), menina de oito anos, passa acreditar que o escrito do pai está na árvore que fica no jardim da casa.
 O longa trata de forma natural e visceral a dor que se sente quando alguém tão próximo falece. Não há pieguices ou clichês. Somente pessoas aprendo a conviver com a dor. Com o vazio. Isso vem desde o roteiro (baseado no livro: Pai Nosso Que Está Na Árvore). Sem melodramas ou ações esperadas. 
  Contudo, o destaque está em Davies. Que consegue transmitir diversas sensações com um olhar. Com um gesto. A garota traz na atuação uma veracidade que emociona. Charlotte Gaibnsbourg (O Anticristo) interpreta a mãe, que viúva, com quatro filhos, precisa aprender a viver sem o esposo. A atriz funciona no papel. E junto com Morgana Davies conseguem fazer as melhores cenas.
   No entanto, o final deixa a desejar. Não se sente uma conclusão de sentimentos por parte de Simone. Que parece deixar de lado o que tanto lutou para guardar e proteger.
    A árvore, com sua belíssima trilha, consegue transmitir a mensagem proposta. Mostra uma maneira de se vivenciar a tristeza da morte e como o tempo pode curar.