segunda-feira, 24 de maio de 2010

Recife Frio


por Enoe Lopes Pontes


Recife Frio, curta dirigido por Kleber Mendonça Filho (Eletrodoméstica), conta como Recife, uma cidade tropical, passou a ser fria. Com uma linguagem de programa de televisão, parece que o espectador assisti a um verdadeiro documentário.Através deste recurso, o curta traz divertidas situações e, ao mesmo tempo, faz uma crítica a realidade do local.


Há no roteiro, um tom de ironia e humor acido que são vistos a cada cena do filme. Destaca-se a seqüência em que vemos a casa de uma família de classe média (pai, mãe, filho e a secretária do lar), que mora em um apartamento em frente a praia e, por isso, com a mudança do clima, passou a sofrer muito com o frio.


Por esta razão, o garoto se apropria do quarto da empregada, que é o mais quente e oferece a ela o seu, que possui uma bela vista, mas a troca não compensa por causa da temperatura.Através deste caso, é possível perceber como se estrutura a realidade social do Recife e, por analogia, a do Brasil.


No documentário foram feitas tomadas com planos abertos, que dão a impressão de que foram elaboradas para mostrar as ruas mais vazias depois da mudança climática, além de explicitar como a baixa temperatura pode causar a frieza nas pessoas, e como o clima pode refletir no comportamento da sociedade.


Com depoimentos que possuem veracidade e uma história criativa, Recife Frio consegue expor os problemas e necessidades do Recife, de maneira dinâmica e sem quebras de ritmo. O filme, que já foi premiado em diversos festivais, como o de Brasília e o Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira, chega ao Festival Panorama Coisa de Cinema no dia 28 de maio de 2010, em Salvador.

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