sexta-feira, 19 de março de 2010

Ilha do medo

Martin Scorsese dirige seu quarto filme estrelado por Leonardo di Caprio numa adaptação do livro homônimo de Dennis Lehane.
Por Hilda Lopes Pontes


O detetive Teddy Daniels vai ao Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston, onde funciona um estranho presídio para sociopatas, uma clínica psiquiátrica de segurança máxima. Ele investiga o desaparecimento da paciente Rachel Solando.


Aos poucos, Daniels descobre que a instituição utiliza métodos ilegais de tratamento e enfrenta resistência dos médicos em dar arquivos sobre o local. Pela sinopse não se percebe as principais características de originalidade de Ilha do medo.


Primeiramente, a trilha sonora do longa. Com acordes simples, um clima hitchcockiano paira no cinema. Um intenso suspense faz, muitas vezes, o espectador prender a respiração. Quem assiste se envolve tanto que se deixa levar pela história e se sente como Teddy.


Di Caprio, em sua quarta parceria com Scorsese, mostra-se mais uma vez excepcional. Ele conduz, até com mínimas expressões faciais, os sentimentos de sua personagem e dá credibilidade às ações desta. Não tem como não sentir as emoções do agente federal, interpretado por ele.


Acima de tudo, Martin Scorsese (Bons Companheiros, Os Infiltrados) prova a sua maestria e talento com este thriller psicológico de tirar o fôlego. A fotografia e a direção de arte são impecáveis, nos remetendo aos antigos filmes da era de ouro de Hollywood e provando mais uma vez a paixão do diretor por cinema.


Para completar, o elenco coadjuvante conta com excelentes atores como Max Von Sydow ( O Sétimo Selo), Mark Ruffalo ( Colateral), Ben Kingsley (Fatal), Jackie Earle Haley( Pecados Íntimos), Michelle Williams ( O segredo de Brokeback Moutain) e Emily Mortimer ( A Pantera Cor- de- Rosa).




sexta-feira, 12 de março de 2010

Simplesmente complicado


Nancy Meyers volta a direção com mais uma comédia romântica
por Enoe Lopes Pontes


Diretora e roterista de filmes como "Operação cupido" (1998), "Alguém tem que ceder" (2003) e "O amor não tira férias", Nancy Meyers sempre procurou trazer longas que mostrassem o universo feminino de maneira engraçada, leve e divertida.

Em Simplesmente Complicado isso não muda muito. Jane (Meryl Streep, que inclusive foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz - comédia ou musical em 2010 por este filme), é uma mulher divorciada que após 10 anos da separação começa a se recuperar. Contudo, o seu ex-marido Jake (Alec Baldwin) aparece em sua vida de novo quando o filho deles se forma na faculdade e eles precisam ir juntos ao evento.

A partir disso, os dois, que estão hospedados no mesmo hotel, terminam passando a noite juntos. Porém, Jake é casado e Jane fica na dúvida se estabelece ou não uma relação com ele. Além disso, ela conhece Adam (Steve Martin), arquiteto que está reformando a sua casa, eles saem juntos e, com isso as dúvidas dela crescem mais ainda.

O filme apresenta atores bem entrosados, piadas muito divertidas na medida e, aborda um tema não muito tratado e que precisa ser mais mostrado. Mas peca porque o roteiro não é tão original, com situações já utilizadas em outros longas de Meyers ( como mulheres mais novas com homens mais velhos, ataque do coração na hora da relação sexual, homens cafajestes sendo punidos e sofrendo por amor).

Outro problema são alguns clichês utilizados pela diretora como: triângulo amoroso, alguém esperando outra pessoa que não comparece ao encontro, o indivíduo apaixonado olha para sua amada,mas ela não olha, ele desvira e em seguida o mesmo acontece com a mulher.

Simplesmente Complicado é puro entretenimento, daqueles que o público se diverte durante a sessão, mas meia depois é esquecido, porém vale pena para aqueles que querem ter o mero prazer de rir.
Foto: alienado.worldpress.com

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vencedores do OSCAR 2010


A noite do OSCAR que ocorreu ontem (07), não teve grandes supresas. A única dúvida estava na disputa entre Avatar e Guerra ao terror, que ganharam 3 e 6 oscars respectivamente. Quanto ao resto pode-se dizer que foi como o esperado, com exceção da categoria melhor filme estrangeiro, categoria que parecia certa para o longa A fita branca e foi para argentino O segredo dos seus olhos.




Melhor Filme - Guerra ao terror

Melhor diretora - Kathryn Bigelow (Guerra ao terror)

Melhor atriz - Sandra Bullock (Um sonho possível)

Melhor atriz codjuvante - Mo'Nique (Preciosa)

Melhor ator - Jeff Bridges (Coração louco)

Melhor ator codjuvante - Christoph Waltz (Bastardos inglórios)

Melhor roteiro original - Guerra ao terror

Melhor roteiro adaptado - Preciosa

Melhor animação - Up - altas aventuras

Melhor animação em curta-metragem - Logorama

Melhor trilha sonora - Up - altas aventuras

Melhor figurino - Young Victoria

Melhor filme estrangeiro - O segredo de seus olhos (Argentina)

Melhor direção de arte - Avatar

Melhor fotografia - Avatar

Melhor montagem - Avatar

Melhor efeitos visuais - Avatar

Melhor maquiagem - Star trek

Melhor canção original - "The weary kind" (Coração louco)

Melhor documentário - The cove

Melhor documentário em curta-metragem - Music by Prudence

Melhor curta-metragem - The new tenants

Melhor edição de som - Guerra ao terror

Melhor mixagem de som - Guerra ao terror

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Nine


Robbie Marshall volta às telas com um musical cheio de estrelas hollywoodianas.



Por Hilda Lopes Pontes


Após o sucesso de Chicago, o diretor Robbie Marshall não se manteve muito presente na indústria cinematográfica. Somente dirigiu mais um longa para as telonas que foi Memórias de uma Gueixa, um filme mediano e que recebeu fortes críticas negativas. Mas não é em Nine que Marshall conseguiu retomar seus tempos de glória.



O longa conta a história do cineasta Guido Contini (Daniel Day Lewis,ótimo), que está na crise dos seus quarenta anos e não consegue escrever o roteiro do seu novo filme. Para ele as mulheres em sua vida o marcaram, sua esposa traída(Marion Cottilard), a amante (Penélope Cruz), a mãe( sempre diva Sophia Loren), a amiga e figurinista de seu filmes (Judi Denchi),uma prostituta (Fergie, da banda Black Eye Peas) e uma jornalista( Kate Hudson), e é através do ele viveu com elas que ele tenta começar seu script.



Apesar do estilo do diretor está presente de maneira marcante no longa, – principalmente nos números musicais misturados com diálogos - o ritmo é lento, as cenas são mal montadas e muitas vezes sem motivo,ou seja, pelo menos 30 minutos de filme poderia ser cortado e não faria falta. Outro fator é a enorme quantidade de estrelas em Nine. São tantas atrizes conceituadas que todas terminam sendo coadjuvantes e não se sabe ao certo a história de nenhuma delas.



Porém, o longa tem seus bons momentos. As canções Cinema italiano e Be italian, interpretadas por Kate Hudson e Fergie respectivamente, fazem o ingresso valer a pena. As danças são impecavelmente bem coreografadas e originais além de emocionarem o espectador.





A cova da serpente

Com de 62 anos, o filme traz uma história ainda impactante e que vale a pena assistir. Por Enoe Lopes Pontes.


A cova da serpente conta a história de Virginia Stuart Cunningham (interpretada por Olívia de Havilland), uma mulher que apaixonada, casa-se com Robert Cunningham.
Após um tempo depois do matrimônio ela começa a apresentar sintomas de desequilíbrio mental.Por este motivo, Robert decide internar Virginia em uma instituição para pessoas que sofrem de problemas mentais.

Dentro da clínica Virgínia passa vários dias sem se lembra de nada e não apresenta muitas melhoras. Com isso, o médico que cuida dela, Dr. Kick, passa a tratá-la com choques elétricos.
Entre melhoras e pioras, há um momento em que vai para a ala considerada a melhor, a de número um.

Porém, existe no lugar uma enfermeira que implica com a moça. Com isso, as duas terminam discutindo e Virginia vai parar na Ala 33, a pior de todas. Lá ela se sente na “cova da serpente” e se vê sã ao perceber que existe uma loucura muito maior que a dela. Após a sua estadia na Ala 33, o Dr. Kick trabalha na melhora dela e consegue obter bons resultados.

O longa de 1948, dirigindo por Anatole Litvak, possui um conjunto de elementos cinematográficos muito bom. O roteiro, que conta uma história real, faz o público conectar-se com a trama, as cenas são intensas e há uma conexão entre os atores. Fica em quem assiste uma sensação de angústia passada por eles.

Mas, é Olívia de Havilland a grande estrela do filme. Ela encarna Virginia de forma arrebatadora. Quase se sente o que a personagem vive. Seus olhares e expressões marcantes são memoráveis.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Amor sem escalas


Jason Reitman dirige George Clooney neste forte candidato ao Oscar.
Por Hilda Lopes Pontes

Quando Amor Sem Escalas começou a ser divulgado pelo diretor Jason Reitman(Obrigada por fumar) a primeira coisa que veio na cabeça é que o seu longa seria um romance meloso e superestimado, como o seu sucesso anterior, Juno.Principalmente pela sua versão em português.
Mas o filme surpreende, pois ao invés de personagens surreais, Amor Sem Escalas mostra pessoas "verdadeiras", sem maniqueismos e com dilemas que afetam a vida de qualquer um.
Ryan(George Clooney,ótimo) trabalha para uma empresa na qual sua função é demitir funcionários de outras companias em todo o país, por esse motivo ele viaja muito. Sempre vai na mesma empresa aérea e tem o objetivo de conquistar 10 milhões de milhas.
Tudo muda quando Natalie( Ana Kendrick,perfeita) cria um sistema de demissão por vídeo na internet para os funcionários não precisarem mais ir para outras cidades.Ryan não gosta da ideia e decide viajar com ela para provar que despedir pessoas ao vivo é uma opção muito melhor e mais segura. É nessa viagem que os melhores momentos do filmes acontecem, como a festa em que eles entram fingindo que são pessoas convidadas.
Com um elenco introsado,uma trilha sonora que combina com cada momento do longa por transimitir o clima exato de cada cena e uma direção equilibrada de Reitman pois ele dosa perfeitamente humor e drama, fazem de Amor Sem Escalas um filme merecedor de muitos premios.

Julie e Julia


Nora Ephron traz Meryl Streep e Amy Adams neste filme que poderia se chamar Julia.
Por Enoe Lopes Pontes

Nora Ephron (A feiticeira), dirige este longa que conta a história de duas mulheres de tempos diferentes, mas que apresentam uma paixão em comum: a comida.

A parte de Julia Child (Meryl Streep, divina), conta quando a californiana, no ano de 1948, se muda para Paris com seu marido (interpretado por Stanley Tucci). Ela não pode ter filhos e gostaria de passar seu tempo com algo importante. É a partir desta vontade que Julia descobre o amor pela culinária.

Julie Powell (Amy Adams), é uma escritora que nunca chegou a publicar um livro. Ela se vê num trabalho que não gosta e se sente infeliz com isso. Mas, descobre que sua amiga tem um blog de sucesso e percebe que pode fazer o mesmo como uma espécie de válvula de escape. Com isso, Julie tem a ideia de escrever no blog sua experiência ao fazer 524 receitas do livro de Julia Child em 365 dias.

Há entre as duas partes um diferente rítimo e estilo. Enquanto na de Streep existe uma leveza, bela direção de arte e intepretações divertidas; na de Adams tudo é muito insosso. O casal não funciona, as piadas são sem graça e a narrativa é lenta. O público fica ansioso para que Julia apareça e eles possam se deliciar com Meryl Streep e a incrível história de Julia Child.

Foto: faridhadj.wordpress.com/2009/11/